desabafo do mês 12

Dezembro 1, 2009 at 11:51 am (coisa minha)

Dezembro, pra mim, é um mês que não passa: trespassa.

Cada luzinha acesa em cada lugar onde o Natal é comemorado, só faz lembrar do que se apagou em mim.

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com que roupa?

Novembro 27, 2009 at 1:44 pm (coisa minha)

Vestida de saudade. Enfeitada com a falta que você me faz.

Meus brincos são seus beijos, que vivem aqui, balançando na minha orelha.

A falta do seu abraço é um agasalho às avessas, onde eu me escondo macia, protegida e quase completamente entristecida.

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inacabado

Novembro 16, 2009 at 7:02 pm (coisa minha)

Diz que o amor é diálogo.

Será?

E quando amor é silêncio que se olha e se entende?

Acho mais que o amor é dedicação.

Sim, quando ele não vem e te faz perder as pernas e o juízo,

É na dedicação que a gente encontra ele.

É num telefonema preocupado,

É num “você está bem?”

É num estar todo dia do lado e ainda sentir falta se a pessoa te falta.

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manifesto contra a mesmice

Novembro 7, 2009 at 2:49 am (coisa minha)

unhasverdes

 

“Insatisfação generalizada. É isso que você tem!”

Vicky Cristina Barcelona, 2008.


Pra desacostumar o olhar, pintei as unhas de verde. Quero mudar os cabelos, cortar bem curtinho. Pintaria toda a minha casa de azul, deixaria o céu prata por 24 horas inteiras. Pra você, poderia dar um céu branco, salpicado de pontos furta-cor. Pra pessoa que ta ali na esquina, esperando a hora de atravessar a rua, eu daria um céu com arco-íris, só pra ela esquecer do que está indo fazer por dois eternos segundinhos. Pra não acostumar nem as rodas do meu carro, mudo o caminho de ir pra casa. Pra não enjoar uma música, meu celular vive no vibra call. Resolvi lavar meu banheiro às 11 da noite, em pleno feriado. Tenho alguns poucos costumes e manias na vida – acho que sem eles, não viveria bem (apesar de ter certeza absoluta de que sim, viveria) – mas a pior mania de todas é ter pavor do que é igual sempre. Agora, por exemplo, que pintei as unhas de verde pra desacostumar o olhar, queria tanto que elas fossem pintadas de pink!

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futuro do pretérito perfeito

Outubro 16, 2009 at 12:24 pm (coisa minha)

Era pra ser assim: você me olha, eu te olho, e desse olhar surgem faíscas. Essas faíscas vão durar dias, meses, anos, dependendo das pilhas que a gente usar. Era pra ser assim: o mundo vai ser só legal, não vou deixar nada nada te aborrecer, ou entristecer. Era pra ser assim: nossas diferenças se somarão. Vou achar um barato sua falta de sintonia com o resto da humanidade até que, bem, até que sua falta de regra esbarre em alguma bem sólida minha. Era pra ser assim: eu saberia agir em qualquer situação. Madura o suficiente para lidar com a grande maioria delas, vou empunhar sua bandeira e bradar com veemência que aquela é a bandeira pela qual eu luto, na qual eu acredito, porque, muitas vezes, as pessoas só precisam de um sonho pra sonhar. O problema é que eu não estou aqui pra brigar, ou pra achar só bonito o diferente ou o igual. O problema é que eu estou aqui, sentindo em cada poro do meu corpo. O problema é que esse coração nem pensa em lutar por nada: ele quer, na verdade, ser ganho, e esteve fora de mim, numa bandeja escondida – mas não inalcançável – esperando mansamente suas mãos de dedos longos alcançá-lo. Ele esperou em cima do guarda-roupa, deixando uma pontinha aparecer e mantendo a batida bem pausada: para não entregar seu esconderijo, mas procurando estar suficientemente cheio, para que fosse fácil de ser notado ao mais leve toque seu. Ele ficou assim, até que uma frase que não existiu, uma falta de pele ou de carinho na hora errada fez com que ele acelerasse e voltasse correndo goela minha abaixo. E agora está aqui, suspirando, pedindo que nunca mais eu diga o que ele deve esperar das coisas. Que ele prefere ficar assim: na quentura aconchegante e escura que é essa dentro do meu corpo. Pelo menos até eu ter na voz a segurança de dizer que sim, chegou a vez dele.

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ausência

Setembro 4, 2009 at 8:51 pm (achei por aí assim)

“Não”, eu disse, “não sinto saudades suas”. Ela falou algo que não consegui ouvir. “Fala mais alto”, gritei. A ligação estava péssima, talvez fosse a chuva, quem sabe apenas a porcaria do telefone sem fio, mas eu mal conseguia ouvir a sua voz. “Como é que você não sente saudades de mim”, ela gritou, “há dois dias você disse que me amava e agora vem com esta história de que não sente saudades de mim”. Respirei fundo. Olhei para a cozinha. Sobre a pia havia um prato com um croissant pela metade. Segurei o telefone sem fio com força. “Ontem eu fui ao supermercado. Você disse que deveria comprar água, lembra? Disse no dia em que voltou para sua casa. Pois então eu fui ao supermercado comprar água mineral. E resolvi comprar pão também. Aí aconteceu: eu vi um pacote de croissant. Deu um aperto danado no peito, juro, mas resolvi levar um pacote. Sei lá. Não gosto tanto de croissant como você gosta, mas pensei que se eu comesse um deles nós dois estaríamos dividindo um momento novamente. Quando cheguei em casa e preparei o sanduíche de croissant, não sei o que aconteceu comigo. Não pude comer mais do que a metade. De repente, tudo em mim começou a doer. Doer não é bem a palavra. Tudo em mim começou a, isso, tudo em mim começou a esvaziar. Eu estava ficando vazio. Minha vida parecia não existir mais e sabe por quê? Porque você não estava mais ali ao meu lado comendo comigo um estúpido croissant. O que eu quero dizer com isso? Que muitas coisas perderam o sentido desde o momento em que você saiu por esta porta. Coisas bobas como comer um croissant mas que, ao seu lado, se tornam tão importantes, se tornam vitais até. São estas coisinhas que enchem a minha vida de, sei lá, vida. Então, quando você pergunta se estou com saudades, eu digo não. Não sinto saudades suas. Sinto muito mais que saudades. Eu sinto falta sua. Com saudades a gente consegue conviver. Agora, com a sua ausência eu não vivo. Você faz falta porque você faz parte de mim, entende? Alô?”. Ela tentava dizer alguma coisa. Mas eu não ouvia nada. Droga de telefone sem fio. “Mais alto”, eu disse. E então eu ouvi seu grito. “Desliga esta porcaria de telefone e vá ao supermercado comprar mais croissants”, ela falou. “Quantos você quer?”, perguntei. “Quantos você acha que pode comer durante toda sua vida?”, ela gritou. E foi assim que minha vida se encheu novamente. Feito um carrinho de supermercado.

André Takeda

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smoke get in your eyes

Agosto 20, 2009 at 1:06 pm (coisa minha)

As lágrimas que você não chora, escorregam ácidas e lentas para dentro da sua alma.

Mas, não se preocupa, não: logo depois de corroer o seu órgão de sentir, elas vão se transformar em fumaça.

E que mal pode fazer uma nuvenzinha negra em cima da cabeça?

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momento trampo

Agosto 19, 2009 at 2:45 pm (coisa minha, trabalho)

o job era criar um convite para um bate-papo (perdeu o hífen? vou já verificar) sobre as diferenças sexuais, para o público professores da rede municipal. a palestrante, membro da Liga Brasileira das Lésbicas, tem currículo extenso e é bamba no quesito educação inclusiva. deu nisso:

criação minha e do paulo.

palmas para a diversidade,  para as cores e para todas as conversas do bem!

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filosofia de pano de prato

Julho 31, 2009 at 12:19 pm (Uncategorized)

“o amor e o menino começam brincando e acabam chorando”

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êêê!!

Julho 29, 2009 at 2:29 pm (achei por aí assim)

lindo! e divertido!

bato palmas!

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