Entradas Recentes »

Não quero deixar nas suas costas a obrigação de tentar consertar o que eu mesma não sei o quê. Se eu fosse você, apenas manteria uma distância segura. Mas, não vá tão longe que eu não possa alcançá-lo ao esticar os braços. O mundo é grande demais e eu, você sabe, sou tão pequena e vivo tão cheia de coisas que ando transbordando.

Momento Trampo

Campanha contra a Dengue, para a FMS.

Ficha: Amanda Viana criou, Jardiel fez o lay-out, Casa Verde produziu.

O vt:

e ainda declarar amor =)

eu criei, Felipe e Jardiel fizeram a direção de arte da campanha, André Melo (Jardim Elétrico Som) cuidou lindamente da trilha, e a Casa Verde realizou.

Alguém

Acordava com uma preguiça do mundo. Devia ser a TPM. Abria o olho, olhava o teto, as coisas em cima da cômoda – sempre desarrumadas, sempre sem incomodar. Puxava dois ou três fios de cabelo, só pra melhorar a concentração na preguiça. Talvez banhar primeiro, ou tomar café, ou checar os e-mails. Talvez mais 5 minutos na cama. Tá, hora de levantar. Falta de pensar em alguém.

Café tomado sem muito entusiasmo, remexido várias vezes, só pra dar uma esfriada, enquanto ouvia, no Bom Dia Brasil, como o dia amanheceu em São Paulo e que o vento fazia a sensação térmica cair mais 3 graus. Falta de pensar em alguém.

No caminho pro trabalho, entre uma marcha e outra, falta de estar indo encontrar alguém. Não, não apenas alguém: precisava do O alguém. Alguém que pudesse fazer tudo ou nada, e ainda assim ser bom. Alguém que, mesmo quando a conhecesse de verdade, não se ausentasse ou amedrontasse. Alguém que entendesse aquele vazio todo e aquela preguiça toda do mundo – que não, não é culpa da TPM, ou de um domingo – é achar que às vezes as pessoas são monótonas demais, o que denunciava à si própria. Alguém que, mesmo sem saber do seu medo imenso de se entregar, e talvez por isso mesmo, a ganhasse de forma a deixar o medo dela com tanto medo, a ponto de ir embora. E que esse alguém não fosse embora. E que esse alguém a deixasse com vontade de ficar.

Alguém?

Lameira de Caminhão

Não sou muito boa com começos. Mas, dê-me um meio, e saberei fazer.

outdoor/frontlight

Credishop, Mais Feliz =)

eu também fiquei feliz: amei o resultado!

sem nem piscar

Às vezes, quando não nos permitimos ficar mortalmente feridos com a felicidade alheia, tudo o que nos resta é não pensar. Quem sabe assim, de pensamentos vazios, nos aproximemos um pouco do que somos de verdade.

Foi no segundo dia do ano que vi minha avó, já altas horas da madrugada, dançando como podia no aniversário de 18 anos de um neto. Era mãozinha levantada pro alto, sorriso estampado no rosto que sempre olhava para os lados em busca de uma companhia para o passo. Sentada à uma distância segura para não ser vista, eu só sabia chorar olhando aquela cena, que até hoje me vem em slowmotion: e não foi justamente aquela senhora que não dormiu na madrugada anterior porque tava com medo de morrer? Não é esta a mesma pessoa que está com o coração já cansadinho e comprometido de tanta coisa gostosa que já comeu, dos 12 filhos criados, do marido que se foi tão cedo, da saudade dos filhos que moram longe? Sim, era. A mesma pessoa, com o mesmo coração dodoizinho, mas com o estado de espírito diferente. Talvez a alma, esta coisa que a gente sabe que existe e vira e mexe nos mostra uma força que não pode mesmo ser deste mundo, deu à vovó aquele brilho no olho, aquele rubor na bochecha, aquela alegria de viver, aquele esquecimento necessário das coisas ruins que nos acontecem, para que o sorriso possa brotar no rosto. E foi neste dia, o 2 de janeiro, que 2010 começou de verdade pra mim. Não importa o quanto o coração está machucado: importa saber viver bem com isso.

poema de natal

Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados

Para chorar e fazer chorar

Para enterrar os nossos mortos —

Por isso temos braços longos para os adeuses

Mãos para colher o que foi dado

Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer

Uma estrela a se apagar na treva

Um caminho entre dois túmulos —

Por isso precisamos velar

Falar baixo, pisar leve,

Ver a noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:

Uma canção sobre um berço

Um verso, talvez de amor

Uma prece por quem se vai —

Mas que essa hora não esqueça

E por ela os nossos corações

Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre

Para a participação da poesia

Para ver a face da morte —

De repente nunca mais esperaremos…

Hoje a noite é jovem; da morte, apenas

Nascemos, imensamente.

Vinícius de Moraes

Blog no WordPress.com. | Tema: Motion até volcanic.
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.