Bilhetes

Setembro 29, 2008 at 8:43 pm (poesia alheia)

Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura. Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo para fazer afagos. E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços. E estreitar distâncias. E encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez). Uns escrevem grandes obras. Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas.

Rita Apoena

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tum tum

Setembro 29, 2008 at 2:32 pm (coisa minha)

Meu coração coça.

Sabe aquela coceirinha gostosa?

Não, não. Nada de duplo sentido: é coceirinha mesmo.

Só não sei ainda o que ele quer dizer com isso: será que ele quer só receber carinho?

Charminho de coração. Existe isso?

 

Aqui ó, isso…mais pra esquerda. Isso! Tá booooom.

:p

 

(certo, certo. O cardiologista vai ficar sabendo disso)

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parada

Setembro 26, 2008 at 7:52 pm (Uncategorized)

Tudo bem hesitar, se depois você for em frente.

Bertolt Brecht

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tibungo

Setembro 25, 2008 at 12:02 pm (coisa minha)

será que toda vez que se joga lá do alto, a cachoeira pensa que vai voar?

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da incapacidade de ver

Setembro 24, 2008 at 9:38 pm (Uncategorized)

 

De tanto ver, a gente banaliza o olhar – Vê… não-vendo. Experimente ver, pela primeira vez, o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é: o que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa retina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que você vê no caminho, você não sabe. De tanto ver, você banaliza o olhar.

Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer. Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca conseguiu vê-lo. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser, também, que ninguém desse por sua ausência.

O hábito suja os olhos e baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver: gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que um adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém vê. Há pai que raramente vê o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher.

Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

Ver Vendo, Otto Lara Resende.

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Estar onde se está

Setembro 24, 2008 at 9:11 pm (Uncategorized)

 

 “Eu diria que a felicidade é estar onde se está e não querer ser outra pessoa.”

 

* Ilustração do quadrinho do quarto da Juno

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free hugs!

Setembro 23, 2008 at 2:56 pm (coisa minha)

Eu hoje acordei querendo escrever um carinho. Desses assim que a gente quase não sente, se não estiver atento. Mas que fazem uma diferença e tanto nas nossas horas. Quis um carinho assim como um sorriso meio desconcertado, dado por um quase desconhecido, ou um parar de carro para que o outro passe. Um carinho de se desfazer em mil só pra levar um segundinho de paz que seja. Um carinho pra tirar um peso, ou pra realizar um sonhozinho mínimo. Um carinho pra sentir o mundo melhor.

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sim, peguei :p

Setembro 22, 2008 at 9:43 pm (Uncategorized)

AUSÊNCIA

“Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás
a tua face em outra face

Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa

Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos portos silenciosos

Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.”

 

desde quando eu sou bem obedecida?

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anjo torto?

Setembro 19, 2008 at 12:15 pm (poesia alheia)

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo.  Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.

 

Adélia Prado, com licença poética

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ela é drama, romance, comédia e ficção científica

Setembro 18, 2008 at 2:48 pm (coisa minha, filme, foto alheia)

 

“será que nós somos apenas seres dentro de um organismo?”

*Flagra do Iri Santiago

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