Não quero deixar nas suas costas a obrigação de tentar consertar o que eu mesma não sei o quê. Se eu fosse você, apenas manteria uma distância segura. Mas, não vá tão longe que eu não possa alcançá-lo ao esticar os braços. O mundo é grande demais e eu, você sabe, sou tão pequena e vivo tão cheia de coisas que ando transbordando.
Categoria: coisa minha
e ainda declarar amor =)
eu criei, Felipe e Jardiel fizeram a direção de arte da campanha, André Melo (Jardim Elétrico Som) cuidou lindamente da trilha, e a Casa Verde realizou.
Acordava com uma preguiça do mundo. Devia ser a TPM. Abria o olho, olhava o teto, as coisas em cima da cômoda – sempre desarrumadas, sempre sem incomodar. Puxava dois ou três fios de cabelo, só pra melhorar a concentração na preguiça. Talvez banhar primeiro, ou tomar café, ou checar os e-mails. Talvez mais 5 minutos na cama. Tá, hora de levantar. Falta de pensar em alguém.
Café tomado sem muito entusiasmo, remexido várias vezes, só pra dar uma esfriada, enquanto ouvia, no Bom Dia Brasil, como o dia amanheceu em São Paulo e que o vento fazia a sensação térmica cair mais 3 graus. Falta de pensar em alguém.
No caminho pro trabalho, entre uma marcha e outra, falta de estar indo encontrar alguém. Não, não apenas alguém: precisava do O alguém. Alguém que pudesse fazer tudo ou nada, e ainda assim ser bom. Alguém que, mesmo quando a conhecesse de verdade, não se ausentasse ou amedrontasse. Alguém que entendesse aquele vazio todo e aquela preguiça toda do mundo – que não, não é culpa da TPM, ou de um domingo – é achar que às vezes as pessoas são monótonas demais, o que denunciava à si própria. Alguém que, mesmo sem saber do seu medo imenso de se entregar, e talvez por isso mesmo, a ganhasse de forma a deixar o medo dela com tanto medo, a ponto de ir embora. E que esse alguém não fosse embora. E que esse alguém a deixasse com vontade de ficar.
Alguém?
Não sou muito boa com começos. Mas, dê-me um meio, e saberei fazer.
Dezembro, pra mim, é um mês que não passa: trespassa.
Cada luzinha acesa em cada lugar onde o Natal é comemorado, só faz lembrar do que se apagou em mim.
Vestida de saudade. Enfeitada com a falta que você me faz.
Meus brincos são seus beijos, que vivem aqui, balançando na minha orelha.
A falta do seu abraço é um agasalho às avessas, onde eu me escondo macia, protegida e quase completamente entristecida.
Diz que o amor é diálogo.
Será?
E quando amor é silêncio que se olha e se entende?
Acho mais que o amor é dedicação.
Sim, quando ele não vem e te faz perder as pernas e o juízo,
É na dedicação que a gente encontra ele.
É num telefonema preocupado,
É num “você está bem?”
É num estar todo dia do lado e ainda sentir falta se a pessoa te falta.

“Insatisfação generalizada. É isso que você tem!”
Vicky Cristina Barcelona, 2008.
Pra desacostumar o olhar, pintei as unhas de verde. Quero mudar os cabelos, cortar bem curtinho. Pintaria toda a minha casa de azul, deixaria o céu prata por 24 horas inteiras. Pra você, poderia dar um céu branco, salpicado de pontos furta-cor. Pra pessoa que ta ali na esquina, esperando a hora de atravessar a rua, eu daria um céu com arco-íris, só pra ela esquecer do que está indo fazer por dois eternos segundinhos. Pra não acostumar nem as rodas do meu carro, mudo o caminho de ir pra casa. Pra não enjoar uma música, meu celular vive no vibra call. Resolvi lavar meu banheiro às 11 da noite, em pleno feriado. Tenho alguns poucos costumes e manias na vida – acho que sem eles, não viveria bem (apesar de ter certeza absoluta de que sim, viveria) – mas a pior mania de todas é ter pavor do que é igual sempre. Agora, por exemplo, que pintei as unhas de verde pra desacostumar o olhar, queria tanto que elas fossem pintadas de pink!
Era pra ser assim: você me olha, eu te olho, e desse olhar surgem faíscas. Essas faíscas vão durar dias, meses, anos, dependendo das pilhas que a gente usar. Era pra ser assim: o mundo vai ser só legal, não vou deixar nada nada te aborrecer, ou entristecer. Era pra ser assim: nossas diferenças se somarão. Vou achar um barato sua falta de sintonia com o resto da humanidade até que, bem, até que sua falta de regra esbarre em alguma bem sólida minha. Era pra ser assim: eu saberia agir em qualquer situação. Madura o suficiente para lidar com a grande maioria delas, vou empunhar sua bandeira e bradar com veemência que aquela é a bandeira pela qual eu luto, na qual eu acredito, porque, muitas vezes, as pessoas só precisam de um sonho pra sonhar. O problema é que eu não estou aqui pra brigar, ou pra achar só bonito o diferente ou o igual. O problema é que eu estou aqui, sentindo em cada poro do meu corpo. O problema é que esse coração nem pensa em lutar por nada: ele quer, na verdade, ser ganho, e esteve fora de mim, numa bandeja escondida – mas não inalcançável – esperando mansamente suas mãos de dedos longos alcançá-lo. Ele esperou em cima do guarda-roupa, deixando uma pontinha aparecer e mantendo a batida bem pausada: para não entregar seu esconderijo, mas procurando estar suficientemente cheio, para que fosse fácil de ser notado ao mais leve toque seu. Ele ficou assim, até que uma frase que não existiu, uma falta de pele ou de carinho na hora errada fez com que ele acelerasse e voltasse correndo goela minha abaixo. E agora está aqui, suspirando, pedindo que nunca mais eu diga o que ele deve esperar das coisas. Que ele prefere ficar assim: na quentura aconchegante e escura que é essa dentro do meu corpo. Pelo menos até eu ter na voz a segurança de dizer que sim, chegou a vez dele.

