filosofia de pano de prato
“o amor e o menino começam brincando e acabam chorando”
querido escorpião
Preciso dizer o quanto sou fascinada pelo seu visual. Gosto de admirar cada parte do seu corpo bem dividido e estruturado. Gosto de te ver saindo de leve da toca, num caminhar lento e calculado, que só animais com muita peçonha têm. Gosto ainda de saber que esta peçonha é parte do seu poder. Qual bicho não seria o tal se levasse consigo uma arma tão paralisante? Suas pinças me hipnotizam e eu chego a pensar em triscar nelas. Que mal me fariam? Sua cor me diz ‘eu sou do bem’ e quase chego a ter fé na sua inocência, embora às vezes eu queira te colocar no meio de um círculo de fogo, só pra saber se é verdade o lance de você se suicidar quando percebe um perigo irremediável. Mas, não faço nada. Só admiro de longe, me permitindo chegar a uma distância segura de você. Porque sim, eu sei: é da sua natureza levantar sua arma e ferroar a vítima. A sua natureza entende que é assim que a natureza funciona. Então eu me defendo, te olho de longe, espio pela fresta de um arbusto. Vejo você dar as costas, fico calada. Melhor não correr o risco de denunciar minha presença e levar um ferrão. Então, eu desejo: vá a outros lugares, conheça outras pedras que servirão de esconderijo. Procure lugares mais quentes quando for inverno, se aqueça num tronco de uma árvore quando for dia, cace à noite. E volte, de vez em quando. Chegue em silêncio, de mansinho como sempre. Mostre de novo quem é que anda com o veneno no corpo. Finja pra mim que não vai me dar o bote. Prometo fingir que acredito e me arriscar a chegar mais perto. Prometo que vou quase querer sofrer a dor que o seu veneno provoca. Até eu perceber a ponta do seu lindo rabo brilhando, com uma gotinha já aparecendo. Até eu ver que está chegando a hora do golpe e voltar correndo – e um pouco mais decepcionada – para o meu ninho de passarinho.
quem sou eu
Um filtro dos sonhos morando dentro de um caleidoscópio.
momento frase
terá de haver um lugar para cada coisa, a fim de que cada coisa tenha o seu lugar e dele não saia.
Saramago, em A Viagem do Elefante
beijo de coalho
No teu beijo me cheguei
E ali mesmo me parti
No teu beijo me enterrei feito sapo de macumba
E meu coração bumba, bumba
E púf! Me faleci
Dei num veludo de céu
De vizinhança estrelada
Sem essas horas minguadas da tardinha de domingo
Nós de cacho do orvalho
Num longo beijo de coalho
Banhados no mesmo pingo
Beijo de primeiro apanha
Que eu só conhecia de oitiva
Me veio um fogo sem chama
Fiquei vermelho-gengiva
Quando um anjo verde-oliva
Das forças celestiais
Sem uma menina Jesus
Que visse amor nos casais
Só permitiu beijos-cruz
Sem jeito, suavizais
Como já estava beijando,
Deixei o anjo soprando
Os seus apitos finais
Jessier Quirino (lindo, lindo. cantado, mais ainda!)
Receita de ano novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
carinho pra amizade!

essa é pra amizade parar de charminho, pq ela é querida querida!
Geo, aí vai tu (desculpa a tremida)
:**
oba! mais festa!

As passarinhas azuis!!!
/ Entrei pro Clube!!
Liz, eu, Zo, Luri e mãe Jé
(quase rola beijo batman ali, heim?)
duas eu. (qm guenta? – mimo de Jeanne)